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Esta história foi patrocinada pela Embaixada Britânica. O trabalho da Mata N'Ativa é focado em conteúdos de marca que tenham efeitos concretos e verificáveis.

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a economia do clima

Floresta em pé: além de reguladora do clima, um ativo econômico

Bioeconomia, remuneração do trabalho de guardiões da floresta e criação de oportunidades de investimentos para a iniciativa privada estão entre as apostas do governo britânico no Brasil para garantir valor econômico à floresta em pé.

Por que contar esta história é importante?

Com base em dados e estudos de caso, esta história demonstra que além dos resultados concretos para combater as mudanças climáticas, as florestas se consolidam como elemento central de desenvolvimento territorial, promoção da justiça climática e como uma promissora oportunidade para investimentos do setor privado.

Parcerias e colaborações

O Reino Unido apoia ações de combate às mudanças climáticas por meio do fundo International Climate Finance (ICF), com compromisso de investir R$ 82,5 bilhões (£11,6 bilhões) globalmente até 2026. No Brasil, a atuação envolve parcerias com governos federal e estaduais, organizações da sociedade civil, centros de pesquisa e instituições como Imaflora, Cedac, BNDES e Serviço Florestal Brasileiro.

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Parceria com GREAT
31/03/2026Texto: João Paulo VicenteIlustrações: Luiz Iria / Mata N'Ativa

Uma inovadora plataforma para beneficiamento de produtos, na região do rio Araguaia – área de transição entre o Cerrado e a Amazônia –, pode gerar um faturamento de R$ 21 milhões (£2.955.332) por ano para 1041 famílias de Mato Grosso, 540 delas de indígenas. O projeto, desenvolvido com recursos do REDD+ Early Movers Mato Grosso (REM MT) – iniciativa de incentivo à conservação florestal em uma parceria entre Reino Unido e Alemanha –, é ambicioso: processar 10 mil toneladas de pequi numa safra de quatro meses. Para se ter uma ideia do que isso significa, o Centro Estadual de Abastecimento (Ceasa) de Goiânia, principal polo comercial da fruta hoje, trabalha com 3 mil toneladas ao longo de todo o ano.

Planejar a escalada da produção é necessário por causa de negociações em andamento com indústrias de diversos setores para integrar o óleo do pequi em suas cadeias produtivas. “A plataforma vai trazer geração de renda para essas mil famílias de indígenas e agricultores familiares, além de promover a conservação da biodiversidade. Nós acreditamos que a valorização deste produto também vai aumentar o interesse em plantar pequi e recuperar áreas degradadas”, avalia Alessandra Karla, coordenadora-executiva e cofundadora do Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado (Cedac), que executa o REM MT. 

E cada árvore importa. As florestas tropicais, como a Amazônia, são responsáveis por manter a temperatura global 1 grau mais baixa, explica Érika Gouveia, diretora de florestas da Embaixada Britânica. Elas sequestram gás carbono, absorvendo mais de 20% das emissões mundiais de gases do efeito estufa. De todas as florestas do mundo, 12% estão no Brasil.

O programa REM integra o portfólio de ações do Reino Unido por meio do International Climate Finance (ICF), que auxilia países no enfrentamento e mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Os investimentos no Brasil superam R$ 4,4 bilhões (£620 milhões).

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Eu diria que 60% do ICF no Brasil são voltados para diversas ações em áreas de floresta, reconhecendo seu valor e de seus guardiões. Entre nossas metas no longo prazo está atrair novos players e investimentos privados para garantir a sustentabilidade dos projetos.

Érika Gouveia, diretora de florestas da Embaixada Britânica

Diversas das iniciativas britânicas já atingem esse objetivo. O Mobilising Finance for Forests (MFF), programa cujo objetivo é mobilizar capital para proteger e restaurar florestas, atraiu US$ 10 (R$ 50) de investimento privado para cada US$ 1 (R$ 5) colocado pelo Reino Unido. Exemplo semelhante, mas com foco em ações de pequena escala, o P4F, alavancou £6 para cada £1 em recursos públicos.

A viabilização desses investimentos, porém, depende de uma extensa rede de parcerias com instituições públicas, iniciativa privada e sociedade civil em projetos divididos em três categorias: manutenção da floresta em pé, redução do desmatamento e recuperação de áreas desmatadas.

Saiba mais

Como manter a floresta em pé

O REM MT e sua frente voltada à sociobioeconomia, como no caso do pequi, está entre os mecanismos com foco em manter a floresta em pé. “O Mato Grosso é o único estado do Brasil com três biomas: Amazônia, Cerrado e Pantanal”, ressalta Henrique da Cruz Ramos, coordenador do subprograma de Agricultura Familiar, Povos e Comunidades Tradicionais dentro da Secretaria do Estado de Meio Ambiente (Sema). “Nós temos um potencial imenso para a sociobioeconomia.”

O pequi foi apenas a primeira escolha do subprograma de Agricultura Familiar. Apreciada em preparos regionais do Centro-Oeste, mas com variedades ainda não consumidas, como a da Amazônia, esta é uma oportunidade para popularizar a fruta e seus subprodutos. O projeto recebeu cerca de R$ 13 milhões (£1,8 milhão), o maior volume de recursos do REM MT. Fundado em Goiás em 2000, o Cedac, responsável pela execução das ações do programa, ajudou a construir a CoopCerrado, uma cooperativa que hoje inclui mais de 7 mil famílias em seis estados, trabalhando com 173 plantas de diversos biomas.

A plataforma projeta uma usina para extrair óleo de pequi de alta qualidade e em escala, algo que não existe hoje. Além disso, há a previsão de explorar diversos subprodutos, como álcool de pequi para a indústria cosmética e biomassa para ração animal, o que “valoriza o uso sustentável e a conservação da biodiversidade”, diz Alessandra Karla. A coordenadora do Cedac conta que, para trabalhar com agricultura familiar, foi necessário superar uma visão antiquada de que plantas nativas eram um empecilho para o desenvolvimento agropecuário: “Na virada do século não se sentiam os efeitos das mudanças climáticas e não havia conhecimento da importância da biodiversidade e do potencial econômico dessas espécies.”

O cenário mudou. Há agora uma demanda por mudas de espécies nativas – só no Mato Grosso, o Cedac já é responsável pelo plantio de 600 mil plantas, considerados os esforços do REM e outras iniciativas. O plano é que a plataforma industrial seja utilizada para diversas cadeias produtivas da zona de transição da Amazônia para o Cerrado, como o jatobá e a castanha.

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Um superalimento, o baru é castanha altamente nutritiva, rica em proteínas e gorduras boas, utilizada tanto na alimentação quanto na produção de óleos e derivados. Desde 2025, passou a se exportado paro a União Europeia. Foto: Reprodução/Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado

Com o auxílio de outra iniciativa, o Partnership for Forests (P4F), o Cedac conseguiu registrar o baru na União Européia em 2025. Esse mercado gigantesco estava fechado para a pequena castanha do Cerrado brasileiro, considerada um superalimento e exportada com sucesso para diversas outras partes do mundo.

A exploração sustentável do baru, do pequi e de outros produtos é essencial para a proteção da floresta conservada. “É nesse ponto que nós trabalhamos mais forte com os povos que mantêm a floresta em pé. E aí a gente passa a estimular e abrir mercados para a bioeconomia”, analisa Erika Gouveia.

No Pará, outro projeto de bioeconomia apoiado pelo Reino Unido está focado em entender como povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais podem conduzir esse processo. O estado foi pioneiro na criação de um plano estadual de bioeconomia ainda em 2022.

A proposta é estabelecer um novo paradigma econômico, em uma área equivalente ao dobro da França. “Nós temos um potencial de bioeconomia que é naturalmente complexo e diverso. Precisávamos de um melhor entendimento das especificidades dos territórios”, conta Camille Bemerguy, secretária adjunta de bioeconomia na Secretaria Estadual de Meio Ambiente do Pará.

A responsabilidade ficou a cargo da Trama, uma consultoria de projetos ambientais. Com recursos do UK PACT – outro mecanismo de investimento do Reino Unido para ações de combate às mudanças climáticas e estímulo ao desenvolvimento sustentável –, a organização dedicou o ano de 2024 a fazer encontros, ouvir e compreender as demandas das diversas comunidades que poderiam ser integradas ao plano de bieconomia paraense.

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Nós fomos a várias regiões, conversamos com associações, com cooperativas e perguntamos o que estava faltando, quais os obstáculos, quais oportunidades precisavam. Em seguida organizamos tudo e apresentamos ao governo do estado e aos financiadores

Pedro Leitão, diretor-fundador da Trama

“Nós subsidiamos a Trama para que eles desenvolvessem a proposta entregue ao governo do Pará”, diz Aurélio Borges, membro do conselho diretor da Malungo, coordenação estadual quilombola que representa 600 comunidades. “Assim eles conseguiram incorporar o olhar de quem conhece os produtos desses territórios, a forma tradicional de manutenção e respeito com a floresta”, explica.

O projeto está tomando forma dentro da Casa Sociobioeconomia, no Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, em Belém, um espaço físico de encontro entre os povos tradicionais, que queriam ter um papel central no direcionamento desses recursos. O lugar é também um ecossistema de inovação para empreendimentos e startups. “É preciso entender como a bioeconomia se relaciona com os moradores, com seus valores, causas, desejos. Eles são os guardiões da floresta”, explica Leonardo Leitão, diretor da Trama.

Além dos quilombolas, também participaram do processo entidades representativas de indígenas, extrativistas e agricultores familiares. A expectativa agora, conta Aurélio, é alcançar um modelo de gestão compartilhada da Casa Sociobioeconomia e garantir que as comunidades tradicionais tenham mais autonomia dentro do projeto.

Para a secretária Camille Bemerguy, o apoio da Trama e a proximidade com quem está no território é essencial para garantir a perenidade do projeto – uma preocupação estratégica para uma bioeconomia que se pretende como movimento mais amplo. “Em um estado como o Pará, políticas de clima, economia e justiça social precisam estar interligadas”, explica. Em breve, iniciativas parecidas podem ser replicadas em outros biomas.

Também por meio do UK PACT, o governo britânico forneceu suporte técnico para o desenvolvimento da Política Nacional de Bioeconomia e dos planos de bioeconomia e sociobiodiversidade, estratégicos para conectar floresta, ciência e inovação na busca por um modelo produtivo justo e inclusivo em todo o território brasileiro.

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O valor do pequi, um fruto símbolo do Cerrado que também cresce em áreas de transição com a Amazônia, vai muito além da alimentação. Dele pode-se extrair óleo, produzir álcool para a indústria cosmética e biomassa para ração animal. Foto: André Dib

Como reduzir o desmatamento

A conversão da vegetação nativa do bioma em pastos, monoculturas ou áreas improdutivas impacta a produção agrícola de todo o país e a segurança alimentar de boa parte do planeta: a água evaporada da Amazônia irriga as regiões de alta produção agrícola e regula padrões de chuva e clima. Para completar, também estão no Brasil 12% das reservas globais de água potável.

O programa Fortalecimento Institucional e Políticas Públicas, do REM MT, foca os investimentos em órgãos estaduais envolvidos no combate ao desmatamento. “É uma atividade de muito esforço e risco, e os recursos têm contribuído para fortalecer a equipe”, diz a coordenadora do subprograma, Franciele Nascimento. O desenvolvimento de um novo sistema de monitoramento por satélite, por exemplo, permitiu que focos de desmatamento sejam identificados de forma mais rápida, o que ajuda a reduzir o prejuízo ambiental e permite uma atuação mais estratégica das equipes em campo.

Segundo uma avaliação feita ao longo do programa, entre 2021 e 2022 foram evitados 160 mil hectares de desmatamento no Mato Grosso. E sem resultados concretos, os investimentos não chegam, já que o REM MT integra o mecanismo do programa Redução de Emissões de Gases de Efeito Estufa Provenientes do Desmatamento e da Degradação Florestal (REDD).

No Brasil, além do Mato Grosso, há um REM no Acre. Os esforços dos dois estados mais os projetos apoiados pelo REM na Colômbia já evitaram a emissão de 31 milhões de toneladas de carbono, segundo dados do ICF de 2025, o equivalente ao consumo de mais de 2,3 milhões de carros movidos a gasolina por ano.

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Paralelamente ao REM, o Reino Unido é hoje o segundo maior doador do Fundo Amazônia, atrás apenas da Noruega em um grupo de dez países apoiadores. Quando foi criada, em 2008, a iniciativa ajudou a fortalecer uma série de significativas reduções de desmatamento na Floresta Amazônica. “Se considerarmos o que não foi desmatado entre 2003 e 2008, o Brasil foi o país do mundo que mais contribuiu para a redução de gases do efeito estufa”, diz Nabil Kadri, superintendente de Meio Ambiente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que gerencia o Fundo Amazônia.

Ao todo, o compromisso britânico é doar R$ 816,9 milhões (£115 milhões). Desse total, quase R$ 280 milhões (£39 milhões) já foram desembolsados como recompensa pela redução das emissões nos anos de 2017 e 2018, a um valor de R$ 26 (US$ 5) por tonelada de dióxido de carbono (CO²).

Segundo Fernanda Garavini, chefe do Departamento de Gestão do Fundo Amazônia, a ideia é criar um ciclo virtuoso de pagamentos por resultados. “Em valores reais, nós quadruplicamos nossas aprovações. Estamos apoiando cada vez mais iniciativas, conseguindo que tenham mais impacto e maior escala”, diz.

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Um dos focos é a continuidade do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAM), implementado em 2004. Para se ter uma ideia, desde então a taxa anual de desmatamento na região caiu de 27,8 mil km² para 5,8 mil km².

Ao todo, são 144 projetos encerrados ou em andamento, alcançando três em cada quatro municípios da Amazônia Legal e afetando a vida de mais de 260 mil pessoas. O Sanear Amazônia, por exemplo, aproveita o know-how acumulado do Projeto Cisterna, do governo federal, que instala cisternas no semiárido brasileiro há mais de 20 anos, para melhorar o acesso à água de qualidade para mais de 3,5 mil famílias de baixa renda em comunidades extrativistas. Além do impacto em termos de saneamento básico e segurança alimentar, o projeto vai alavancar a produção sustentável e geração de renda nessas regiões, um incentivo à preservação da floresta.

O programa AIM For Forest dedica R$ 1,4 milhão (£200 mil) em inovação tecnológica para melhorar a capacidade técnica de coletar dados e analisá-los antes de tomar decisões. A iniciativa, segundo o governo do Reino Unido, garante mais integridade na redução do desmatamento, o que abre caminho para a chegada de investimentos públicos e privados ao país.

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Castanha-da-amazônia passa por secagem e armazenamento na RESEX Rio Cautário, em Rondônia. O projeto Pacto das Águas permitiu que quase 300 castanhais passassem a ser explorados e mantidos por extrativistas do estado. Foto: José Medeiros/Pacto das Águas

Como recuperar a floresta

Em regiões já desmatadas, o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) tem um programa ambicioso, por meio do Fundo Amazônia: o Arco da Restauração. O objetivo é recuperar 6 milhões de hectares de floresta nativa até 2030. A primeira parte desses esforços está sendo feita com recursos do fundo por meio do Projeto Restaura Amazônia.

“O Fundo Amazônia dá um recado importante para o mundo: a cooperação internacional é capaz de trazer resultados positivos não só para o país que implementa os projetos, mas para o conjunto de parceiros”, avalia Nabil Kadri, do BNDES. “O fundo não existiria sem o compromisso do governo brasileiro em reduzir o desmatamento e sem o apoio da comunidade internacional”, completa Fernanda Gavarini, chefe do departamento de gestão do Fundo Amazônia.

Projetos com foco em floresta apoiados pelo Reino Unido

Atuação envolve parcerias com governos federal e estaduais, organizações da sociedade civil, além de centros de pesquisa.

Outro exemplo é o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), organização fundada há 30 anos e que atua junto ao Serviço Florestal Brasileiro para estabelecer um modelo adequado de concessão de florestas para restauração. O trabalho recebeu aportes de um edital do UK PACT.

Com recursos de cerca de R$ 7,8 milhões (£1,1 milhão), a atuação envolve “diversos gargalos causados por limitados recursos humanos e financeiros”, conta Tayane Carvalho, analista florestal do Imaflora. O auxílio envolve consultorias, pesquisas, relacionamento com comunidades e municípios, comunicação e outros esforços.

Hoje, são 1,3 milhão de hectares concedidos para exploração em áreas de florestas nacionais (Flonas) ou glebas públicas. Para a equipe do Imaflora, a longo prazo, é possível expandir essa área para 18 milhões de hectares. Os números deixam claro que vale a pena. Em Flonas onde há concessões, 92% do desmatamento ocorre fora das áreas concedidas.

Dentro dos esforços do Imaflora, há também um trabalho para auxiliar os municípios a receberem parte dos tributos pagos pelas empresas concessionárias conforme a produção. Esses recursos devem ser gastos pelas secretarias de meio ambiente e, em alguns casos, “o valor é o equivalente ao orçamento anual dos órgãos”, diz Carvalho.

Em Portel, no Pará, um dos municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, os recursos obtidos pela lei das concessões já permitiram a compra de cinco motos elétricas e inúmeros equipamentos para o pessoal de fiscalização, ajudando na conscientização das comunidades tradicionais sobre a necessidade de reduzir queimadas. Em breve, a Secretaria de Meio Ambiente do município vai adquirir maquinário no valor de R$ 1,2 milhão (£168,8 mil) para criar um desbastador florestal. Com o equipamento, “conseguimos limpar áreas de exploração evitando o uso do fogo”, diz o secretário Igor Diniz. Como resultado, Portel já reduziu em quase 90% o volume de queimadas no território da cidade.

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A Floresta Amazônica de pé, em Rondônia. O projeto Pacto da Floresta apoia iniciativas de fortalecimento das cadeias produtivas da castanha-do-brasil, borracha e açaí em duas terras indígenas e três reservas extrativistas do estado. Foto: Reprodução/Pacto da Floresta

Por uma economia atrativa da floresta em pé

A saúde da floresta como um ativo econômico: trata-se de uma mudança de paradigma. A COP 30 foi um marco na questão. “Pela primeira vez, a floresta e a energia tiveram o mesmo reconhecimento pela presidência da COP, que anunciou um mapa do caminho para cada área”, conta Erika Gouveia, da embaixada do Reino Unido.

No momento em que a participação da iniciativa privada nesses esforços começa a pegar tração, cabe à comunidade internacional dar um empurrãozinho. “Não há dinheiro público no mundo suficiente para acabar com o desmatamento. Nós precisamos trazer novos players e os recursos do Reino Unido podem se consolidar como uma alavanca para inovar e criar novas parcerias”, explica Gouveia.

O Fundo de Restauração (The Restoration Fund – TRF), que integra o programa MFF, já mobilizou R$ 2 bilhões (£287 milhões) em capital privado e firmou contratos de compra futura de créditos de carbono com gigantes do setor de tecnologia. Na América Latina, a iniciativa destina terras degradadas à proteção florestal e ao plantio comercial de árvores. A meta é proteger e restaurar aproximadamente 135 mil hectares de florestas e plantar uma área equivalente de madeira certificada.

Nas palavras de André Chaves, do Imaflora, a floresta e todo seu serviço ambiental não enxergam fronteiras. “Os esforços locais têm uma capacidade ampliada quando a comunidade internacional apoia projetos que podem parecer fora do interesse de um governo à curto prazo”, afirma. A conservação, enfim, é um jogo onde todos ganham.

Esta história foi produzida com apoio do programa International Climate Finance (ICF), do governo britânico, por meio de parceria institucional com a Embaixada do Reino Unido no Brasil. Trata-se de conteúdo patrocinado, desenvolvido pela Mata N'Ativa com base em pesquisa e entrevistas.

GLOSSÁRIO

Pequi

Rico em óleo e nutrientes, é um fruto típico do Cerrado brasileiro, de cheiro e sabor marcantes, muito usado na culinária regional

Sociobioeconomia

Modelo econômico que integra a geração de renda, a conservação da natureza e a valorização das comunidades locais, especialmente povos tradicionais, utilizando os recursos da biodiversidade de forma sustentável

Efeito estufa

Fenômeno natural no qual gases presentes na atmosfera retêm parte do calor do Sol, mantendo a Terra em uma temperatura adequada à vida. Quando intensificado por atividades humanas, contribui para o aquecimento global

Desbastador florestal

Equipamento ou profissional responsável pela remoção seletiva de árvores ou vegetação em excesso, com o objetivo de melhorar o crescimento da floresta, reduzir riscos de incêndio e aumentar a saúde do ecossistema

Baru

Semente do fruto do baruzeiro, árvore nativa do Cerrado. Trata-se de uma castanha altamente nutritiva, rica em proteínas e gorduras boas, utilizada tanto na alimentação quanto na produção de óleos e derivados

Créditos de carbono

Forma de medir e compensar emissões de gases de efeito estufa, como reflorestamento e proteção de florestas contra o desmatamento

Selo da Embaixada Britânica