
a economia do clima
Transição energética: o papel do Brasil na corrida por tecnologias de baixo carbono
Com alto potencial em hidrogênio de baixo carbono e eólicas offshore, o país, capaz de influenciar debates internacionais, firma-se como parceiro estratégico do Reino Unido em projetos inovadores que vão abrir uma nova era na geração de energias limpas e renováveis.
Por que contar esta história é importante?
A transição energética é uma oportunidade única de o Brasil transformar vantagem natural em liderança global, atraindo investimentos, fortalecendo a economia e reduzindo riscos climáticos. Essa história evidencia as parcerias entre o Reino Unido e o Brasil na busca pela descarbonização, por meio de compartilhamento de tecnologias, conexões comerciais e parcerias governamentais.
Parcerias e colaborações
O Reino Unido apoia ações de combate às mudanças climáticas por meio do fundo International Climate Finance (ICF), com compromisso de investir R$ 82,5 bilhões (£11,6 bilhões) globalmente até 2026. No Brasil, a atuação na área energética envolve parcerias com os ministérios da Fazenda, de Minas e Energia (MME) e de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), além de diversas empresas.
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Rios imensos, sol o ano todo, ventos regulares, biomassa: recursos naturais abundantes garantem ao Brasil uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, com cerca de 90% da geração proveniente de fontes renováveis. Esse potencial posicionou o país no centro das decisões climáticas internacionais: cada vez mais, nações interessadas em reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) buscam firmar parcerias com o Brasil na corrida por tecnologias de baixo carbono.
A emergência climática exige rapidez na implantação de um novo modelo. Enquanto desastres naturais intensos atingem cidades brasileiras e expõem a vulnerabilidade do país diante do clima extremo, a transição energética – processo de substituição de combustíveis fósseis por fontes de energia mais limpas – passa a ser vista não apenas como agenda ambiental, mas também fator de segurança econômica e geopolítica.
No mundo todo, o avanço dessa agenda ganhou força diante da necessidade de conter o aquecimento do planeta e reduzir eventos como grandes enchentes, secas e ondas de calor. A busca por fontes mais sustentáveis de energia mobiliza governos, empresas, instituições financeiras e organizações internacionais, exigindo coordenação entre políticas energéticas, industriais e de financiamento.

O secretário de Segurança Energética e Emissões Zero do Reino Unido Ed Miliband (no centro) visitou o Porto de Pecem em agosto de 2024. O complexo industrial vai receber US$ 35 milhões para expandir a produção de hidrogêncio verde. Foto: Embaixada Britânica
Parceria estratégica entre Brasil e Reino Unido
Berço da Revolução Industrial e primeiro país do G7 a assumir a meta de emissões líquidas zero até 2050, o Reino Unido trabalha em uma nova etapa do desenvolvimento energético no século 21 . A iniciativa global envolve três pilares: investimento em programas de financiamento, conexões comerciais entre grandes empresas e parcerias governamentais.
E o Brasil tem todos os atributos para ser um aliado fundamental do Reino Unido na sua estratégia internacional de descarbonização. A aproximação reflete tanto o peso da atual matriz energética brasileira quanto a disponibilidade de recursos naturais capazes de sustentar novas cadeias de energia limpa, baseadas em geração solar, eólica, e a partir da biomassa e do hidrogênio de baixo carbono.
Três fatores fundamentam o interesse britânico no Brasil, explica Valmir Dias, gerente nacional de energia e descarbonização da Embaixada do Reino Unido no país: a elevada participação de fontes renováveis na geração de eletricidade brasileira; a abundância de recursos naturais capazes de garantir novas cadeias produtivas; e o peso diplomático do país nos debates internacionais sobre clima e sustentabilidade.
A parceria entre Brasil e Reino Unido reforça a capacidade dos dois países de cumprir seus compromissos climáticos, tanto no âmbito nacional quanto nas negociações internacionais. Ao unir a experiência britânica em políticas de descarbonização com o potencial renovável brasileiro, criamos soluções concretas para acelerar a transição energética e contribuir de forma decisiva para as metas do Acordo de Paris.
Valmir Dias, gerente nacional de energia e descarbonização da Embaixada do Reino Unido no Brasil
A cooperação ganhou estrutura institucional em 2023, com o lançamento da Parceria Brasil–Reino Unido para Crescimento Verde e Inclusivo, que organiza a colaboração bilateral em cinco áreas principais: clima, florestas, agricultura, energia e finanças sustentáveis, reiterando a importância do cumprimento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). No eixo energético, a meta é promover uma transição considerada justa e equitativa, combinando troca de conhecimento técnico, cooperação regulatória e mobilização de recursos financeiros.
Na perspectiva de Londres, a aproximação com o Brasil também responde a um movimento mais amplo de reorganização das cadeias globais ligadas às tecnologias de baixo carbono. Equipamentos como turbinas eólicas, baterias e eletrolisadores utilizados na produção de hidrogênio dependem de cadeias produtivas complexas que começam na extração de minerais e passam por diversas etapas industriais. A estratégia é ampliar o número de países participantes dessas cadeias para, assim, reduzir riscos para a segurança energética e alimentar no caso da escassez de recursos diante de conflitos globais.
Esse movimento está alinhado aos compromissos climáticos internacionais do Brasil. Em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), atualizada em 2024, o país estabeleceu a meta de reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035 em comparação aos níveis de 2005, reforçando o papel da transição energética como eixo central da estratégia climática nacional.
“Brasil e Reino Unido têm se posicionado como aliados fundamentais na construção de uma economia global resiliente ao clima. Ao colaborar no fortalecimento de cadeias sustentáveis, como hidrogênio de baixa emissão e eólica offshore, contribuímos não apenas para nossas metas domésticas, mas também para a credibilidade das negociações internacionais em um momento em que o mundo precisa de uma liderança climática baseada em resultados”, afirma Dias.
Financiamento climático e cooperação tecnológica
Parte da estratégia se materializa por meio de instrumentos de financiamento e programas de cooperação técnica. Uma das principais iniciativas financiada pelo governo britânico é a Parceria para a Transição Climática Acelerada (UK PACT–Partnership for Accelerated Climate Transition), que apoia projetos voltados à economia de baixo carbono em países parceiros. O compromisso é ampliar as ações contra as mudanças climáticas e colaborar para o desenvolvimento sustentável, promovendo empregos e crescimento econômico.
A iniciativa já reúne 24 projetos em andamento e cerca de dez concluídos, distribuídos em áreas como mobilização de investimentos verdes, bioeconomia, mecanismos de MRV (Monitoramento, Reporte e Verificação de dados), eficiência energética, descarbonização industrial e elaboração de estratégias de hidrogênio.
“O foco da UK PACT não é construir projetos de infraestrutura do zero, e sim apoiar iniciativas locais com conhecimento técnico, capacitação e recursos para acelerar a transição energética”, diz Débora Lima, energy policy officer da Embaixada do Reino Unido no Brasil. “São projetos implementados por organizações especializadas, selecionadas via chamadas públicas, que respondem diretamente às demandas do governo. O Ministério de Minas e Energia (MME) e o Ministério de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) são os principais interlocutores.”

Localizada na cidade de São Paulo, sobre as águas da represa Billings, a Araucária é a maior usina fotovoltaica flutuante do Brasil. A matriz energética brasileira já é majoritariamente renovável, mas o país tem potencial para ampliar ainda mais sua capacidade de geração com energia eólica e solar. Foto: Marcelo S. Camargo/Governo do Estado de SP
Outra frente relevante da cooperação são os Hubs Brasil–Reino Unido de Hidrogênio e Descarbonização da Indústria (Brazil–UK Hydrogen Hub), plataformas criadas para fortalecer a cadeia de hidrogênio de baixo carbono no país e integrar o Brasil aos mercados globais dessa nova indústria energética. A iniciativa reúne cooperação técnica, apoio regulatório e financiamento para projetos industriais, além de fortalecer a implementação de políticas públicas e o ambiente de inovação para tecnologias sustentáveis.
O Financiamento Climático Internacional (CIF–Climate Investment Funds) é um dos maiores fundos multilaterais de financiamento climático do mundo, idealizado para apoiar países em desenvolvimento na implementação de tecnologias e modelos de baixo carbono. “No contexto Brasil–Reino Unido, a chamada pública de 2024, para identificar polos industriais de hidrogênio, foi estruturada de forma a permitir que projetos no Brasil acessem recursos do Programa de Descarbonização da Indústria, que faz parte do CIF”, esclarece Lima.
A chamada pública rendeu o investimento de R$ 6 bilhões (£854 milhões) em hubs de hidrogênio e R$ 3 bilhões (£427 milhões) em projetos de clima no Brasil, focados em agricultura sustentável e desenvolvimento da economia verde.
“É uma plataforma multilateral para fortalecer a cooperação internacional e fomentar a produção de hidrogênio como elemento central da transição para um futuro net-zero. Ela foi criada pelo MME e pelo Departamento de Segurança Energética e Emissões Líquidas Zero (DESNZ–Department for Energy Security and Net Zero) do governo britânico, durante a COP28, para acelerar o desenvolvimento do hidrogênio de baixa emissão no Brasil e fortalecer sua integração em mercados globais”, diz Lima.
“O objetivo do hub é ajudar o Brasil a estruturar governança, mercado e financiamento para a implementação do Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2). E, para o Reino Unido, a meta é fortalecer as cadeias internacionais de valor em hidrogênio de baixo carbono, ampliando mercados para tecnologias britânicas e colaborando com um parceiro que possui vasto potencial renovável.”
Hidrogênio de baixo carbono e a nova fronteira da transição energética
Entre as tecnologias consideradas estratégicas para a descarbonização global, o hidrogênio de baixo carbono desponta como uma das maiores apostas brasileiras. Produzido a partir da eletrólise da água – processo que separa hidrogênio e oxigênio utilizando eletricidade a partir de fontes renováveis –, é considerado uma alternativa promissora para substituir combustíveis fósseis em setores industriais difíceis de eletrificar, como siderurgia, transporte pesado e produção de fertilizantes.
Na prática, depois de produzido, o hidrogênio pode ser armazenado e transportado para diferentes usos. Em sistemas de transporte, por exemplo, pode ser utilizado em células a combustível, equipamentos que convertem o hidrogênio novamente em eletricidade por meio de uma reação química com o oxigênio presente no ar. Essa reação gera energia elétrica capaz de alimentar motores elétricos – de ônibus, caminhões ou trens, por exemplo –, liberando apenas vapor d’água como subproduto, sem emissões de carbono. Em outros casos, o hidrogênio também pode ser utilizado diretamente como combustível ou como matéria-prima industrial, substituindo o carvão, o gás natural ou derivados de petróleo em processos produtivos intensivos em energia.


Para Sávia Gavazza, coordenadora-geral de Transição Energética do Ministério da Fazenda, o país possui uma vantagem estrutural importante para desenvolver essa nova cadeia produtiva. “O Brasil já fez um investimento gigantesco em energia renovável ao longo da sua história. Hoje temos uma matriz elétrica com cerca de 90% de fontes renováveis, o que é um ativo enorme para atrair investimentos em novas tecnologias de baixo carbono”, afirma.
Apesar do potencial, especialistas apontam que o país ainda enfrenta desafios para transformar essa base energética em liderança tecnológica. “A construção de uma indústria competitiva depende de ciência, tecnologia e inovação, além de instrumentos regulatórios claros e instrumentos financeiros adequados. Fizemos isso muito bem para a energia eólica, mas falhamos em algum momento para ainda não ter alcançado a liderança em energia limpa”, reconhece Gavazza.
No Reino Unido, o hidrogênio de baixo carbono também ocupa posição estratégica. Suas aplicações são voltadas principalmente à descarbonização da indústria pesada, ao aquecimento residencial e ao transporte de longa distância. O país tem investido na criação de polos industriais integrados, com destaque para regiões como Humber e Teesside – hubs de produção e uso de hidrogênio onde se concentram projetos de captura de carbono, infraestrutura energética e indústrias intensivas em energia. A estratégia britânica combina incentivos regulatórios, financiamento público e mecanismos de mercado para estimular a demanda e viabilizar projetos em escala comercial.
No Brasil, o avanço dessa indústria ainda depende da consolidação do arcabouço regulatório. Nos últimos anos, o governo federal tem avançado na estruturação de políticas para o setor, incluindo o Programa Nacional do Hidrogênio (PNH2) e discussões sobre certificação, incentivos fiscais e definição de padrões para hidrogênio de baixa emissão. Especialistas apontam que a segurança regulatória será um fator decisivo para atrair investimentos e garantir competitividade internacional ao produto brasileiro.
Indústria verde e descarbonização no Brasil
No governo brasileiro, um dos responsáveis por transformar a agenda climática em estratégia econômica é o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pasta coordena políticas voltadas à competitividade industrial e à integração do país às novas cadeias globais de produção. Nessa estrutura, a Secretaria de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria atua diretamente na formulação de políticas públicas destinadas a reduzir emissões industriais e estimular tecnologias limpas.
O protagonismo brasileiro nas discussões sobre clima e desenvolvimento sustentável não é recente, diz Júlia Cruz, secretária responsável pela área. Desde a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, o país tem um papel ativo nas negociações internacionais, combinando diplomacia ambiental com políticas domésticas voltadas à transição energética.
“O Brasil assumiu uma liderança internacional que não se dá apenas pela diplomacia, mas também pela prática. Temos uma tradição forte em biocombustíveis, desde o programa do etanol nos anos 1970, e uma matriz energética extremamente limpa”, explica.
Tal histórico fortalece a posição brasileira nas negociações internacionais e amplia as oportunidades de cooperação com países desenvolvidos. “A cooperação internacional é fundamental”, comenta Cruz. “O Brasil busca manter relações tanto com países em desenvolvimento quanto com economias avançadas, porque acreditamos que existe uma relação benéfica para ambas as partes quando essa parceria é construída de forma equilibrada.”
No âmbito da cooperação com o Reino Unido, prossegue a secretária, o foco tem sido em estudos, diagnósticos e apoio na tomada de decisões, incluindo as capacitações, que se dão em relação a setores energo-intensivos, que envolvem os seis setores que mais emitem gases no Brasil (vidro, químico, alumínio, plástico, celulose e aço). “Isso é muito importante porque, embora o setor industrial emita pouco, em comparação a outros países, cerca de 10% ainda é relevante”.
Júlia Cruz explica que, com o apoio britânico, é possível fazer um diagnóstico desses setores compreendendo quais são as formas de regulação que podem apoiar a transição energética, além de estudar as metodologias que façam sentido para o mercado de carbono para que o país esteja pronto para receber financiamento nacional ou internacional.
A agenda de descarbonização é 100% voltada para a população. O que a gente está falando é de reduzir os efeitos da mudança climática para que catástrofes naturais, como as enchentes do Rio Grande do Sul, e incêndios, que estão cada vez mais frequentes, diminuam
Júlia Cruz, secretária de Economia Verde, Descarbonização e Bioindústria do MDIC
Por causa da elevada participação de fontes renováveis na matriz elétrica, o perfil brasileiro de emissões apresenta características distintas de outras grandes economias. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) indicam que, em 2024, a maior parte das emissões no país estava associada a mudanças de uso da terra e florestas (42,2%) – especialmente desmatamento – e agropecuária (29,2%), enquanto os setores de energia e indústria – mais relevantes na maior parte dos países – têm participação menor (4,5% e 4,4%, respectivamente). Esse cenário reforça a importância de uma abordagem integrada, em que a transição energética se articule com políticas de conservação ambiental e uso sustentável dos recursos naturais.
Eólicas offshore
Além das fontes já consolidadas, o Brasil começa a avançar na exploração da energia eólica offshore, considerada uma das fronteiras mais promissoras da transição energética global. O país possui um dos maiores potenciais técnicos do mundo para geração em alto-mar, sobretudo no Nordeste e no Rio Grande do Sul.
Em 2024, o governo brasileiro avançou na regulamentação do setor com a definição de regras para cessão de áreas marítimas, etapa essencial para viabilizar leilões e atrair investimentos. A expectativa é que o desenvolvimento dessa indústria contribua não apenas para ampliar a oferta de energia limpa, mas também para impulsionar cadeias industriais associadas, como a produção de equipamentos e infraestrutura portuária.
O Reino Unido se destaca como referência global do setor, com uma das maiores capacidades instaladas de energia eólica offshore do mundo – e isso abre espaço para cooperação técnica e comercial com o Brasil.

A usina eólica de Rampion fica na costa de Sussex, na Inglaterra. O Reino Unido é referência global em produção de energia eólica offshore – e isso abre espaço para cooperação técnica e comercial com o Brasil. Foto: Mat Fascione
Desafios estruturais para a transição energética
Apesar do avanço das políticas públicas e do crescente interesse internacional, a transição energética brasileira ainda enfrenta obstáculos importantes. Um dos principais desafios está na infraestrutura necessária para conectar novas fontes de energia aos centros de consumo e às cadeias industriais. Grande parte do potencial de geração renovável do país, especialmente eólica e solar, está concentrada em regiões distantes dos grandes polos industriais, o que exige investimentos significativos em transmissão de energia e logística energética.
“O maior desafio do Brasil hoje talvez não seja regulatório nem financeiro, mas de infraestrutura”, afirma Sávia Gavazza, do Ministério da Fazenda. “Precisamos garantir que a produção de energia renovável consiga chegar aos centros de consumo e às novas indústrias que estão surgindo.”
Para Carlos Colombo, diretor de programa da Secretaria de Reformas Econômicas, ampliar a rede de transmissão e integrar novos polos industriais à produção de energia limpa será essencial para transformar o potencial energético brasileiro em competitividade econômica. “O Brasil tem enorme capacidade de geração renovável, mas precisamos ampliar a infraestrutura para conectar essa produção às regiões onde existe maior demanda industrial”, diz.
Em um mundo que busca reduzir sua dependência de combustíveis fósseis, a transição energética deixa de ser apenas uma agenda ambiental ou diplomática e torna-se uma questão de desenvolvimento e proteção social. Diante das enchentes frequentes, secas prolongadas e incêndios florestais, acelerar a descarbonização da economia pode significar mais do que cumprir metas climáticas internacionais: para o Brasil, essa é uma oportunidade de proteger populações vulneráveis, preservar biomas estratégicos e transformar uma vantagem natural em liderança econômica.
Esta história foi produzida com apoio do programa International Climate Finance (ICF), do governo britânico, por meio de parceria institucional com a Embaixada do Reino Unido no Brasil. Trata-se de conteúdo patrocinado, desenvolvido pela Mata N'Ativa com base em pesquisa e entrevistas.
GLOSSÁRIO
Biomassa
Matéria orgânica usada para gerar energia, como resíduos agrícolas e florestais
Matrizes elétricas
Conjunto de fontes utilizadas para gerar eletricidade em um país
Gases de efeito estufa
Gases que retêm calor na atmosfera, como o gás carbônico, e causam aquecimento global
Tecnologias de baixo carbono
Soluções que emitem pouco ou nenhum carbono na produção de energia
Combustíveis fósseis
Fontes de energia poluentes, como petróleo, carvão e gás natural
Revolução Industrial
Período de grandes transformações econômicas e tecnológicas iniciado na Inglaterra, na segunda metade do século 18. Marcou a substituição do trabalho manual por máquinas, com uso intensivo de carvão e, mais tarde, petróleo
Meta de emissões líquidas
Objetivo de equilibrar a quantidade de gases de efeito estufa que um país, empresa ou setor emite com a quantidade que consegue remover ou compensar da atmosfera, por meio de ações como reflorestamento e captura de carbono
Descarbonização
Redução das emissões de carbono na economia, com diversas ações, como substituição de combustíveis fósseis por fontes limpas e aumento da eficiência industrial e energética
Hidrogênio de baixo carbono
Gerado a partir da eletrólise da água (uso de eletricidade de fonte renovável para separar as moléculas de hidrogênio e oxigênio), é um combustível estratégico para a transição energética
Agenda 2030
Plano global da Organização das Nações Unidas (ONU) para o desenvolvimento sustentável com ações previstas até 2030
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
São 17 metas globais criadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) para orientar países, empresas e a sociedade na busca por uma sociedade mais justa e que protege o meio ambiente
Eletrolisadores
Equipamentos que produzem hidrogênio usando eletricidade
Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC)
Metas climáticas que cada país assume na Organização das Nações Unidas (ONU) para reduzir emissões de gases do efeito estufa
Eólica offshore
Geração de energia elétrica a partir de turbinas eólicas instaladas em alto-mar
Bioeconomia
Economia baseada no uso sustentável de recursos biológicos
Net-zero
Quando as emissões de um país, empresa ou setor são totalmente compensadas por ações que removem carbono da atmosfera, como reflorestamento, captura de carbono ou tecnologias de baixo carbono
Instrumentos regulatórios
Regras e políticas que orientam os diferentes setores, como o de energia
Arcabouço regulatório
Conjunto de leis e normas que estruturam um setor, como o de energia, por exemplo
Transição energética
Processo de substituição de fontes de energia poluentes, como carvão e petróleo, para fontes limpas e renováveis, como solar, eólica, hidrelétrica e hidrogênio de baixo carbono
Biocombustíveis
Combustíveis feitos a partir de matéria orgânica, como etanol e biodiesel.
Energo-intensivos
Setores industriais que consomem muita energia